love
Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustoso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo salvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e ai. Aviso tambem que nao se deve temer seu relinchar: A gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez."
“E então toda sua vida, seus sentimentos, suas memórias e lembranças começam a se passar, como num flashback. As coisas começam a ”acontecer”, como se fossem reais. Tudo aquilo que você nunca iria esperar que virasse real; e o irreal completam-se. Seus sonhos começam a ser imediatos demais e as lembranças descartadas, como cartas em um baralho. Qual então é o sentido disso tudo? Por que esse barco começa e não termina? Por que as ondas não levam tudo de uma vez? Por que elas tem que vir em partes? O flashback retrata sua vida, mas se passa em um pequeno - e inesquecível - minuto de aperto. Por que as coisas tem que ser assim?”
# Fernanda  
4 months ago · 2 notes · Reblog
  1. palavras-que-machucam posted this